quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O trânsito e seus assassinos

Semanas atrás a Audi me convidou para andar com alguns carros na pista da Fazenda Capuava, em Indaiatuba. Dirigi um TTS, um RS5 e um R8. São supercarros, velocíssimos, muito potentes, têm um torque inacreditável, freiam absurdamente. São carros de corrida vendidos para “civis”. Só dá para entender tudo que eles fazem numa pista. Só.

Já tinha guiado carros rápidos, principalmente na Europa. Uma vez o Zé Mariante, colega que cobria F-1, ganhou num sorteio um Porsche para ficar durante um fim de semana de corrida em Hockenheim. Numa autobahn qualquer, em trecho com velocidade liberada, chegamos a 240 km/h. Com segurança, mas com o cu na mão. Poucos segundos, só para bater recorde pessoal, e depois velocidade normal.

Por quê? Por que somos bundões? Não. Porque não somos treinados para guiar a 240 km/h. As noções de espaço e tempo são diferentes de qualquer coisa que tenhamos experimentado com rodas e volante em nossas vidas pregressas. Distâncias de frenagem, reações nas curvas, mudança de faixa, tudo fica diferente. Eu fiz autoescola de Fusca. Meu primeiro carro foi um Gol a ar 1.6. Como posso me achar preparado para acelerar um Porsche a mais de 200 km/h?

Tenho muitas multas. A imensa maioria de estacionamento sem cartão da Zona Azul, rodízio (uma estupidez, porque tenho carros com vários finais de placa) e celular. Por excesso de velocidade, a última foi por passar a 64 km/h numa ponte onde o limite era de 60 km/h. Sou um bom motorista, minha chance de fazer merda é muito pequena, mas meio burro.

Não aprendemos a dirigir nas velocidades que esses novos supercarros atingem, entre outras coisas porque elas não são permitidas no Brasil. A 100 km/h as pessoas já se embananam todas. O que se faz de cagada no trânsito brasileiro é algo monumental. Todos se acham grandes motoristas. Quando enfiam 150 ou 180 km/h numa estrada reta, se acham pilotos, também. São uns babacas.

A imensa maioria dos motoristas brasileiros não tem a menor noção de nada, porque não se ensina a dirigir no Brasil. Se ensina a tirar carta de motorista, o que é bem diferente. São muito comuns as legiões de idiotas que pegam suas motos importadas e saem a quase 300 km/h pelas estradas paulistas e sei lá mais onde. Adoro quando um desses toma um tombo e vira carne moída.

O Brasil vive um momento econômico de prosperidade e fartura. Com ele começaram a ser importadas supermáquinas como os Audi citados, e mais Lamborghinis, Ferraris, Camaros, Mustangs, Porsches, Corvettes, Vipers e a puta que o pariu. Tudo com 300, 400, 500 cavalos. Começo a ter saudades das carroças lerdas do Collor. Eram inofensivas. Esses novos símbolos de riqueza e virilidade estão caindo nas mãos de outra legião de idiotas, a dos filhinhos-de-papai de pinto pequeno que acham que vão comer meninas de unhas vermelhas com seus carrões.

Eles saem nas baladas, bebem, enchem a cara de energético com uísque, tomam todo tipo de bola e saem pela madrugada, ou pela manhã, porque é cada vez mais normal balada acabar em horário comercial, armados para destruir as vidas de outras pessoas que não têm supermáquinas, que trabalham e pegam ônibus ao amanhecer, ou estão na rua de madrugada para fazer entregas, ou estão voltando para casa.
Os casos recentes são numerosos. Teve o cara do Porsche que matou a menina numa Tucson no Itaim, o doido do ABC de cuecas com um Camaro preto, o deputadinho assassino do Paraná, a bonitinha da Land Rover na Vila Madalena, o carniceiro das bicicletas em Porto Alegre, e agora esse fedelho de 19 anos num Camaro vermelho que bateu em não sei quantos carros, feriu seis pessoas, um deles com 90% do corpo queimado dentro de uma Chana, ou Towner, uma dessas, que estava indo ao trabalho na Zona Norte. Aconteceu pela manhã. O moleque de 19 anos tinha saído de uma balada às 6 da matina.

Ninguém se fode verdadeiramente quando causa esses acidentes. É uma distorção das leis brasileiras, que deveriam enjaular essa gente e cobrar de suas famílias indenizações milionárias para as vítimas. Se o papi desse moleque tivesse de vender sua casa no Jardim Acapulco, ou o apartamento de vinte zilhões na Vila Nova Conceição, para pagar as vítimas, no dia seguinte todos os papis milionários trocariam os supercarros de seus molequinhos por Celtas e Corsas.

(Os papis merecem um parágrafo à parte. Como é que alguém dá de presente para um menino de 18 ou 19 anos um Camaro de sei lá quantas centenas de mil reais? Porra, ninguém sabe o que é ter alguma dificuldade na porra da vida? Começar por baixo? Andar de ônibus de vez em quando? Ter um primeiro carrinho pequeno, modesto, baratinho? Cuidar dele, lavar aos sábados, passar uma cerinha? Será que um idiota de 40 e poucos anos, os da minha geração que hoje são pais, não percebe que um menino de 20 não tem a menor capacidade mental para dirigir um carro desses? Será que um idiota da minha geração não percebe que dar um Camaro para um moleque de 20 anos é estragar sua vida, criar um monstro? Será que um idiota da minha geração não percebe que se seu filho sai de casa à noite e volta ao amanhecer está fazendo merda em algum canto? E que a chance de fazer uma merda enorme com um carro de 500 cavalos é ainda maior? Minha geração é uma bosta.)

Mas enquanto isso não acontecer, enquanto não esfolarem as finanças dos papais de filhinhos que saem matando por aí, as autoridades de trânsito do Brasil poderiam fazer alguma coisa imediata. Como, por exemplo, exigir uma carteira de motorista especial para dirigir carros com mais de 100 (eram 200 no texto original, acabei de baixar) cavalos de potência. Exigir dos compradores desses automóveis que só servem para exibição de masculinidade exames psicotécnicos, atestados de bom-comportamento, histórico escolar, idade mínima. Além de cursos de direção, se possível caríssimos, e prestação de serviços voluntários em hospitais que atendem vítimas de acidentes por seis meses antes de sentar a bunda num negócio desses e colocá-lo nas ruas.

Moro ao lado de uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, num trecho sem radares. Da minha janela, de madrugada, vejo verdadeiros animais motorizados compensando as diminutas dimensões de seus falos enfiando o pé no acelerador desses carros, ou torcendo o pulso na manopla direita de motocicletas suicidas.

Torço para que todos morram fritos e esquartejados, o que acontece às vezes com os motoqueiros, mas menos com os outros protegidos por airbags e bons advogados. Esses não morrem, matam.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Frases, em banheiros masculinos...

-Cagar é uma arte estilo barroco.
-Sinta-se como um rei, afinal, você está no trono!
-Cagar é a lei do mundo, cagar é a lei do universo, e foi assim, cagando, que eu fiz esse verso.
-Amar sem ser amado, é pior que limpar o cu sem ter cagado.
-O futuro do Brasil está em suas mãos! (encontrada em cima do mictório)
-O peido é o grito de liberdade da merda oprimida
-Não faça na vida o que você faz aqui dentro
-Comer mulher feia e cagar, todo mundo faz, mas ninguém gosta de comentar.
-Enquanto você está cagando, tem um japonês estudando.
-A diferença entre cagar e dar o cu é meramente vetorial. (encontrada no banheiro da USP)
-Por que mijas fora se no entanto cagas dentro? Ou tu tens o pau torto ou o cu fora do centro!
-Se merda fosse dinheiro, pobre nascia sem cu.
-Não adianta cagar cantando, porque a merda não sai dançando!
-Homem que fala fino, pode crer que caga grosso.
-Neste lugar sagrado, toda vaidade se acaba. O mais covarde se esforça, e o mais valente se caga.
-Pego um papel higiênico, passo aquela lixa na bunda. Aperto o botão da descarga e a merda não afunda!
-Aqui termina toda obra de um grande cozinheiro.
-Lá fora você é valentão, aqui dentro não passas de um cagão.
-Por favor puxe a descarga, ninguém é tão curioso assim.
-Suas fezes não é arte para ser apreciada, e sua urina não é perfume para ser inalado, portanto, dê a descarga. Obrigado!

Editor do blog: Enéias Teles Borges

terça-feira, 30 de agosto de 2011

As prostitutas alemãs e o imposto sobre serviço

As prostitutas que trabalham nas ruas da cidade alemã de Bonn, no oeste do país, devem pagar a partir desta semana imposto diário noturno para trabalhar.

A tarifa de €6 deve ser paga em um caixa automático das 20h15 até as 6h, semelhante a um parquímetro para automóveis, informa nesta terça-feira o jornal alemão "Bild".

Se a "profissional" não apresentar o recibo emitido pela máquina poderá ter que pagar multa de até € 100.

Com essa medida, a cidade de Bonn pretende arrecadar de prostitutas que trabalham na rua os mesmos impostos já pagos pelas que atuam em bordéis controlados e legalizados, informou um porta-voz municipal.

A iniciativa pioneira na Alemanha é baseada na chamada "lei do imposto sexual" da Prefeitura de Bonn, que entrou em vigor neste ano. Essa norma deve trazer aos cofres municipais receita suplementar de € 300 mil anuais.

Os fiscais municipais se encarregarão de verificar se as prostitutas de rua compraram o ticket no caixa automático antes de começar a oferecer seus serviços e poderão multá-las caso não apresentem recibo.

O único caixa automático para pagamento do imposto por prestação de serviços sexuais fica em Immenburgstrasse, ao lado de um sex shop e de um estacionamento público, e possui seis cabines de madeira que poderão ser ocupadas pelas prostitutas.

(Universo Online)

Nota
: Concordo com isso. É uma prestação de serviços como qualquer outra (sob o ponto de vista fiscal). Se uns pagam, outros também o devem...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sexo barulhento e a indenização...

Vizinho que reclamou de barulho de sexo é condenado


Um vizinho que reclamou do barulho feito por um casal durante o sexo foi condenado a pagar R$ 5.100 a cada um deles por danos morais. O réu foi processado pela reclamação que fez no livro do condomínio, no Rio de Janeiro. Ele disse que o comportamento do casal seria aceitável somente em "prostíbulos e motel de beira de estrada". O vizinho relatou que o casal passava de gemidos indiscretos a gritos escandalosos. Em sua decisão, o desembargador Sergio Jerônimo Abreu de Silveira, da 4.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), considerou que houve excesso por parte do réu. Para o magistrado, a forma como a intimidade do casal foi exposta denegriu a imagem de ambos perante outros moradores do prédio.

Universo Online

Nota: Que cada um cuide do barulho, que ocorre ou não, dentro de suas paredes. Quem sabe usando tampão de ouvido?

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Pizza de gafanhoto

A cidade foi infestada por esses insetos nos últimos dias e até mesmo o prefeito, Glenn Milne, sugeriu que os comerciantes arrumassem uma maneira de reverter a situação. "Eu como gafanhotos todos os dias no café da manhã, então, para mim, soa comum colocá-los na pizza", contou o prefeito ao tabloide "Metro". Segundo Milne, os gafanhotos são saborosos e crocantes. Seguindo a sugestão do prefeito, Joe Carrazza foi o primeiro a fazer as pizzas e usa o discurso do político como propaganda. "Os gafanhotos estão por toda a cidade. Só preciso sair por aí e depois colocá-los no forno. Minhas pizzas estão cada vez mais populares".

(Portal Globo)

Nota: Coisas de gente grande. Bom apetite!

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desvendado mistério de 132 anos

Apresentador encontra crânio em reforma e desvenda mistério de 132 anos

A descoberta de um crânio no jardim da casa de um famoso apresentador de TV britânico ajudou a solucionar um mistério que já durava mais de 130 anos.

Após seis meses de investigações, a polícia de Londres anunciou que o crânio encontrado durante uma reforma na casa de David Attenborough, especialista em natureza que narra e apresenta diversos documentários da BBC, pertence à vítima de um crime que ficou conhecido como o "mistério de Barnes", na Era Vitoriana.

Foi necessário usar as mais modernas técnicas forenses para confirmar que a cabeça cortada era de Julia Martha Thomas, assassinada pela própria empregada, Kate Webster, em 1879.

Webster foi condenada pelo crime em seguida e enforcada, mas a cabeça da vítima nunca havia sido encontrada.

Detalhes do crime

O crime ficou famoso na época por causa dos detalhes macabros que foram revelados perante o tribunal.

Thomas, uma viúva de 55 anos, contratou Webster, de 29, como sua empregada em 1879. Webster já havia sido condenada por roubo e fraude anteriormente e a relação entre as duas mulheres teria ficado tensa por causa do alcoolismo da empregada.

Segundo os detalhes revelados durante o julgamento, no dia 2 de março daquele ano, a patroa havia voltado da missa de domingo e elas tiveram uma discussão. Bêbada, Webster empurrou a patroa escada abaixo e a estrangulou.

Então, usando uma faca de cozinha, uma lâmina e um serrote de carne, ela desmembrou o corpo e ferveu as partes, oferecendo a "sopa" a crianças locais como caldo de toucinho.

Testemunhas teriam falado do "forte fedor" vindo da casa.

Os demais restos mortais de Thomas foram colocados em uma caixa de madeira e jogados no rio Tâmisa, mas a cabeça e um dos pés não couberam. Webster teria então jogado o pé em um terreno próximo e enterrado a cabeça no jardim da casa de Thomas.

Dias depois do crime, a caixa contendo "um grande volume de carne branca" foi encontrada sob a ponte de Barnes, o que rendeu ao caso o nome de "mistério de Barnes".

Condenação

Depois do assassinato, Webster assumiu a identidade da patroa e levou o dinheiro e as joias da viúva com ela. Em julho do mesmo ano, ela foi condenada pelo crime e enforcada, mesmo sem ter sido possível fazer uma identificação formal da vítima, já que a cabeça não foi encontrada.

A conclusão do mistério só veio mais de 130 anos depois, com a descoberta do crânio durante uma obra de ampliação da casa do apresentador David Attenborough.

Depois do inquérito, a análise do crânio concluiu que Thomas morreu por asfixia e pancadas na cabeça.

“Este é um caso fascinante e um bom exemplo de como um trabalho de detetive à moda antiga, registros históricos e avanços tecnológicos foram usados em conjunto para resolver o 'mistério de Barnes”, disse Clive Chalk, superintendente de polícia de Richmond, no sul de Londres.


Nota: Sei que é macabro. Sei que parece roteiro de filme de terror. Pena que não exista mais ninguém daquele tempo, para saber o final da história.

Enéias Teles Borges

terça-feira, 5 de julho de 2011

Internação hospitalar de mortos...

O governo federal gastou R$ 14,4 milhões para custear procedimentos de alta complexidade e internações de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que já estavam mortos. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 9 mil casos de pagamentos indevidos em todo o país entre junho de 2007 e abril de 2010. Outros 860 procedimentos, referentes a pacientes que morreram durante a internação, foram pagos.

O relatório do TCU mostra que boa parte das hospitalizações ocorreu, mas em períodos distintos do informado no boleto de cobrança. A estratégia seria usada por administradores de hospitais para driblar o limite de reembolso mensal fixado pelo governo. Atingido o teto, eles empurravam as cobranças para o mês seguinte, alterando, assim, a data dos procedimentos.

Os casos somente foram identificados por causa da incoerência entre datas dos procedimentos e da morte dos pacientes. Por isso, o relator do processo, ministro José Jorge, alerta que o problema pode ser ainda maior, porque não são considerados dados de pacientes que sobreviveram. "Existe uma clara possibilidade de que casos semelhantes tenham ocorrido, mas não detectados", avalia.

Hospitais apresentaram uma justificativa para a cobrança. Segundo eles, isso ocorreria em razão da entrega antecipada de medicamentos em locais distantes, onde a troca de informações é demorada. Isso faria com que, muitas vezes, a notícia da morte do paciente demorasse a chegar ao serviço de saúde.

"Essa justificativa pode explicar parte das ocorrências verificadas, mas não a sua totalidade", disse Jorge. Para ele, os dados reunidos na investigação feita mostram haver também casos pontuais em que há indícios de cobranças indevidas.

A diretora do departamento de regulação, avaliação e controle de sistema do Ministério da Saúde, Maria do Carmo, afirmou que as recomendações do TCU já são adotadas pela pasta. "O sistema de AIH (autorização de internação hospitalar) é antigo. Criamos de forma sistemática amarras para evitar fraudes. Mas, como em todas as áreas, embora o sistema seja permanentemente aprimorado, há o componente humano, a criatividade das pessoas que estão dispostas a fraudar", afirmou.

(Universo Online)

Nota: Quem fica surpreso com esse tipo de notícia? Eu não fico mais...

Enéias Teles Borges